Inovação: transformando ideias em negócio rentável

icone calendario11.07.2013 - 08:16

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Empresas se estruturam e se articulam para promover a inovação e se manter competitivas

 

Por Sergio Taira Santilli

 A palavra de ordem nas empresas em todo o mundo é inovação. O diferencial competitivo das organizações depende de sua capacidade de inovar constantemente, descobrindo o que pode ser transformado em negócios e em benefícios para os consumidores. O objetivo deste artigo é trazer algumas reflexões sobre o tema. Iniciaremos discutindo três conceitos que estão interligados e que, às vezes, se confundem: inovação, invenção e criatividade.

Inovação e invenção
Nos negócios, inovação pode ser facilmente distinguida de invenção. Invenção é a conversão de dinheiro em ideias. Inovação é a transformação de ideias em dinheiro. Isso fica bem explicado comparando Thomas Edison com Nikola Tesla. O americano Thomas Edison (1847-1931) foi um inovador porque fez dinheiro de suas ideias. Não apenas inventou a lâmpada elétrica, como também fundou um dos maiores conglomerados industriais do planeta, a GE. Nikola Tesla (1856–1943), engenheiro mecânico e eletrotécnico austríaco, radicado nos EUA, foi também um inventor brilhante. Gastou dinheiro para criar suas invenções, mas não foi capaz de rentabilizá-las. Morreu empobrecido aos 86 anos. Inovadores produzem, comercializam e lucram com suas inovações. Inventores podem ou não lucrar com seu trabalho.

Inovação e criatividade
A inovação envolve necessariamente a criatividade, mas não é idêntica a ela: a inovação implica agir sobre as ideias criativas para fazer alguma diferença específica e tangível no domínio em que a inovação ocorre. A criatividade é normalmente vista como a base para a inovação, e a inovação como a implementação bem sucedida de ideias criativas dentro de uma organização.

Embora a criatividade seja condição necessária, não é suficiente para termos inovação. Para que esta ocorra, algo mais do que a geração de uma ideia criativa ou um insight é necessário: a visão deve ser posta em ação para fazer uma diferença real, resultando, por exemplo, em negócios, produtos e serviços novos ou modificados.

Força motriz

Um dos mais importantes estudiosos sobre inovação é o economista Joseph Schumpeter (1883/República Checa – 1950/EUA). Em A Teoria do Desenvolvimento Econômico (1934, Imprensa da Universidade de Harvard), Schumpeter afirma que a força motriz do crescimento econômico é a inovação, definida como:
– Introdução de um novo bem, com o qual os consumidores ainda não estão familiarizados, ou de uma nova qualidade em um bem já existente.
– Introdução de um novo método de produção, que não necessita, de nenhuma maneira, estar fundamentado em uma nova descoberta científica.
– Introdução de uma nova maneira de lidar comercialmente com um produto.
– Introdução de uma nova forma de organização da empresa.
– Entrada em um mercado em que a organização não tenha ainda atuado, ou criação de um novo mercado.
– Conquista de uma nova fonte de fornecimento de matérias-primas ou de produtos semimanufaturados, independentemente de essa fonte já existir ou ser criada pela empresa.

Gestão da inovação

A inovação demanda um processo de gestão específico, que requer planejamento, regras e instrumentos de acompanhamento e controle. Os programas de inovação nas organizações devem estar intimamente ligados às metas e objetivos organizacionais e, quando pertinente, devem estar integrados a um plano de negócios.

Há situações em uma organização em que a inovação fica comprometida. Algumas causas são externas à organização, portanto fora de controle. Outras, porém, são causas internas, que podem e devem ser trabalhadas.  Essas causas internas podem estar associadas a uma cultura organizacional que não valoriza e não estimula a inovação, ou também a um modelo de gestão autoritário e centralizador que não oferece espaço para a participação nem promove o empowerment.

Também há causas associadas ao próprio processo de inovação como: má definição dos objetivos; falta de alinhamento das ações com os objetivos estabelecidos; pouca participação dos integrantes da equipe; precário acompanhamento dos resultados; e falhas no processo de comunicação e no fluxo de informação. Todas essas situações problemáticas ficam amplificadas quando não há uma liderança adequada para conduzir o processo.

E essa liderança é fundamental para perceber as demandas  que são impulsionadoras da inovação nas organizações. Destacamos como situações desencadeadoras de inovações a necessidade de: melhoria da qualidade dos produtos ou serviços; ampliação da gama de produtos ou serviços; substituição de produtos ou serviços; melhoria dos processos de produção; criação de novos mercados; redução dos custos trabalhistas; redução de danos ambientais; redução do consumo de energia; conformidade com a legislação e com órgãos reguladores.

 Fontes da inovação

As fontes de inovação atualmente são inventores individuais, grandes laboratórios de P&D, centros de pesquisas das universidades, pequenas e médias empresas e comunidades de usuários. Também existem empresas, voltadas especificamente para a inovação, que utilizam metodologias não convencionais para ajudar as companhias a desenvolverem seus produtos. Um bom exemplo é a IDEO, premiada empresa global de design, cuja missão é ajudar as organizações a inovar e crescer. A metodologia de trabalho da IDEO consiste em montar uma equipe multidisciplinar para discutir o que os clientes querem de um novo produto. Essa equipe é constituída de médicos, publicitários, sociólogos, engenheiros, psicólogos, designers e gerentes de projeto, todos trabalhando exaustivamente na criação de uma solução.

 Um dos casos clássicos em inovação é o modelo desenvolvido pela Xerox. O PARC (Palo Alto Research Center), projeto da Xerox, criou um ambiente de inovação tecnológica que teve muito êxito. Lá são gerados novos produtos e serviços, não só em tecnologia da informação, mas também nas áreas de engenharia, energia, biotecnologia e negócios.

 Seu sucesso garantiu a sobrevivência da própria Xerox, sua criadora, que venceu a barreira das tecnologias xerográficas e sobreviveu à dura concorrência de empresas japonesas. Interessante observar que a mesma Xerox não compreendeu muito bem e não aproveitou algumas tendências de novas tecnologias desenvolvidas no PARC.

 Inovação em rede

O valor de uma inovação é definido pelo mercado e não exatamente pelo seu desenvolvedor. A melhor inovação não é a mais sofisticada, mas a que tem a maior aceitação. Nesse sentido, os clientes constituem uma fonte de informação privilegiada para avaliar uma inovação.

Ouvir os clientes permite compreender suas necessidades atuais e prever suas demandas futuras, orientando, assim, a melhoria contínua dos produtos. Mas, se o objetivo de uma empresa é ampliar seu espaço no mercado, ela deverá pensar em algo que vá além das demandas explicitadas pelos clientes. Ou seja, deverá surpreendê-los, oferecendo produtos dos quais os clientes nem sabiam que necessitavam. Um bom exemplo dessa postura nos é dada por Steve Jobs, da Apple, quando afirmava que os consumidores não sabem o que querem.

Para tentar descobrir e criar o que o cliente ainda não sabe que quer, proliferam pelo mundo os startups, que é o nome que se dá ao processo vivenciado por um grupo de pessoas que trabalha colaborativamente para criar, desenvolver e transformar uma ideia em um negócio rentável. Não é diferente do que chamamos no Brasil de incubadora.

 A IBM está criando centros de inovação ao redor do mundo, onde engenheiros e pesquisadores auxiliam startups a desenvolverem suas tecnologias e os colocam em contato com seus clientes. A IBM já tem parcerias com mais de 1.200 startups.

 O mundo dos negócios está cada vez mais colaborativo. Graças à telemática, empresas e pesquisadores desenvolvem ideias e criam produtos, se articulando em redes virtuais. A partir dessas possibilidades, tem-se discutido se os modelos de inovação devem ser abertos ou fechados, com utilização de centros de pesquisa ou com modelos colaborativos descentralizados. O que existe de consenso é que o processo de inovação deve permear toda a organização. A inovação deve ser um estado de espírito permanentemente compartilhado por todos os membros da organização.

Sergio Taira Santilli – Analista de Tecnologia da Informação da Embraer – São José dos Campos SP. MBA Estratégico em TI pela FGV. Bacharel em Administração pela Faculdade AIEC.