Credibilidade do ensino superior no método EAD

icone calendario26.03.2014 - 17:13

Em 2002, quando ingressei na tutoria Faculdade da AIEC procurei entender, aprender e contribuir para essa “quase revolução” no método ensino-aprendizagem. Na época, havia muito preconceito com EAD de forma geral. O grande desafio era convencer os possíveis interessados que o curso era válido, já autorizado (posteriormente reconhecido) pelo Ministério da Educação e era de excelente qualidade.  E ainda, que seriam sim capazes de acompanhar o curso, aprender o conteúdo ensinado e ao mesmo tempo aprender a lidar com computadores e Internet, visto que muitos nem possuíam computadores pessoais.

Atualmente, uma década depois, vemos milhares de cursos, de todas as áreas do conhecimento, desde cursos técnicos até cursos de pós-graduação, serem ministrados na modalidade a distância, preferencialmente utilizando a Internet, em todas as partes do mundo onde a rede mundial alcança.

No que tange a formação em nível superior, a credibilidade deixou de ser uma preocupação, pois os mecanismos de avaliação como o ENADE puderam comprovar ao longo destes anos quem é quem no Sistema de EAD.  E o MEC tem amparo ferramental para manter o registro/reconhecimento dos cursos de boa qualidade, assim como para cancelar cursos e instituições que agem de má fé.
Ao longo desses anos, na qualidade de tutora em EAD venho observando que a grande maioria dos alunos que cursa a Graduação, na Modalidade EAD, parte para um curso de Pós-Graduação, também na modalidade de EAD. Pois percebem: primeiramente o ganho na qualidade do aprendizado, estudando o conteúdo individualmente ou em equipe acabam aprendendo tudo o que foi previsto nos planos das disciplinas, além de efetuar muita troca de experiências com membros da equipe de estudo.   Segundo, aproveitam melhor o tempo, visto que estudam no seu melhor horário, não desperdiçam o tempo de trânsito e ainda, podem compartilhar melhor o tempo de convivência familiar, ganhando qualidade de vida.

Outro aspecto que a experiência tem nos mostrado, ao logo destes anos, é que uma pessoa que realiza o sonho de obter um diploma em curso superior na modalidade EAD rapidamente influencia um amigo ou membro da família a ingressar no curso, especialmente se esse convidado encontra-se em idade mais avançada e sem curso superior. Essa atitude, mesmo sem indicadores numéricos, acaba avaliando positivamente a proposta de EAD na graduação.

Referente à escolha de um curso em EAD, uma pesquisa realizada no início de 2011, com 1275 alunos, citada por Mahieu e Wolming no European Journal of open distance e-learning (*1), menciona razões para a escolha de cursos da modalidade EAD: conteúdo do curso, formato, economia e curiosidade. O mesmo estudo apontou:  a maior parte dos alunos nessa modalidade são mais maduros e mulheres com filhos pequenos.

Quanto à avaliação quantitativa no ensino superior a distância no Brasil, na modalidade EAD, o Prof. Dr. José Manuel Moran cita que é difícil avaliar de maneira abrangente, devido ao ritmo acelerado com que cursos na modalidade EAD se expandiram nos últimos anos. E, também, porque as pesquisas efetuadas para tal levantamento pontuam experiências isoladas (*2).

Entretanto, quando se analisa os resultados obtidos no ENADE pode se julgar que o conhecimento adquirido por meio de cursos via EAD é tão ou mais valioso quanto ao conhecimento via cursos presenciais.

Assim, podemos afirmar com segurança que a modalidade em EAD, via Internet, em cursos superiores veio para ficar, pois além dos itens citados acima, à medida que a população terrestre aumenta, certamente crescerão problemas de falta de espaços físicos em salas de aula, associados à questão de transporte e locomoção, bem como questões de segurança pública.

E por fim, atualmente sabe-se que as crianças mal começam a falar e já utilizam a Internet para brincar, os adolescentes estão conectados a alguma rede social praticamente durante todo o dia, pode-se questionar se conseguirão frequentar salas de aula convencionais no futuro.

Erineide Sanches Ross é tutora do Polo São Paulo da Faculdade AIEC, doutora e mestre em Administração, pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Doutorado concluído em 2005 e Mestrado em 2000). É pós-graduada em Administração (FECAP-1993).

Referências do artigo

(*1) MAHIEU, Ron. WOLMING, Simon. (Department of Education, Umea University, Sweden).  Motives for Lifelong Learners to Choose Web-based Courses.   European Journal of open  distance and e-learning, 07/03/2013. Disponível emhttp://www.eurodl.org,  acesso 10/jul/2013.

(*2) MORAN, Jose M. Avaliação do Ensino Superior a Distância no Brasil. (Escola de Comunicação e Artes da USP) disponível em http://www.eca.usp.br/moran/avaliacao, acesso 10/jul/2013.

 

Fonte: Administradores.com.br/noticias