Uma era de descontinuidade

icone calendario05.08.2015 - 17:23

Peter Drucker

descontinuidade

POR QUE LER?

Peter Drucker previu a ascensão do “trabalhador do conhecimento” muito antes que o termo entrasse em uso comum. A definição criada por ele é muito mais ampla do que a versão popular em uso corrente. Ele oferece um valioso insight sobre a natureza mutável das funções e responsabilidades do gerenciamento na economia do conhecimento.

INTRODUÇÃO

Segundo Drucker, o gerente, como trabalhador do conhecimento foi uma nova categoria de executivos atentos e inteligentes. O gerente renasceu como um indivíduo pago para utilizar o conhecimento, exercer juízo e liderança responsável dentro da organização.

O trabalhador do conhecimento vê a si mesmo como qualquer outro profissional, enquanto dependente da organização para ter acesso à renda e oportunidade, a organização também depende dele ou dela.

Drucker afirma que o conhecimento, ao invés da mão-de-obra, é a nova medida da sociedade econômica e o trabalhador do conhecimento é o verdadeiro  capitalista na sociedade do conhecimento. O conhecimento não é apenas energia, mas também o proprietário dos meios de produção.

 

CONTRIBUIÇÃO

1. O gerente como trabalhador do conhecimento

Drucker cunhou o termo “trabalhador do conhecimento.” Esta foi uma nova geração de executivos altamente qualificados e uma gestão inteligente, profissionais que entenderam seu próprio valor e contribuem para sua organização. Drucker deu adeus ao conceito do gerente como mero supervisor. O gerente foi criado como um indivíduo responsável.

Embora o trabalhador do conhecimento não seja um trabalhador braçal, e, certamente, não proletário, nem um subordinado (no sentido de ser mandado fazer algo), o trabalhador do conhecimento é pago para aplicar o seu conhecimento, exercer o juízo e a liderança responsável.

2. A natureza do trabalhador do conhecimento

Segundo Drucker, o trabalhador do conhecimento vê a si mesmo como qualquer outro profissional, não diferente de um advogado, professor, religioso, médico, ou um servidor público de hoje, que serviu o governo de ontem. Ele ou ela tem a mesma educação, porém ganha mais e provavelmente tem mais oportunidades também.

O trabalhador do conhecimento pode muito bem perceber que depende da organização para ter acesso à renda e oportunidade, e que sem a organização, não haveria trabalho. Mas há também a constatação de que a organização depende igualmente dele ou dela.

Drucker efetivamente escreveu o obituário para o obediente, bem vestido, leal, homem ou mulher de negócio. O único problema era que ainda levaria outros 20 anos para esta criatura corporativa morrer.

3. O impacto dos trabalhadores do conhecimento

As ramificações sociais desta nova geração de executivos foram significativas. Se o conhecimento, em vez de mão-de-obra, foi a nova medida da sociedade econômica,  as bases da sociedade capitalista tiveram que mudar. O trabalhador do conhecimento é tanto o capitalista real na sociedade do conhecimento quanto dependente do seu trabalho.

Coletivamente os trabalhadores do conhecimento, trabalhadores assalariados educados da classe média na sociedade de hoje, detém os meios de produção através de fundos de pensões, fundos de investimento, e assim por diante.

O conhecimento era não só o poder, mas era também a propriedade.

peter-drucker Peter Drucker

CONTEXTO

O livro efetivamente mapeou o desaparecimento da era da massa,  baseada na mão-de-obra e no surgimento do conhecimento, a era da informação. Drucker percebeu de que a mudança radical no papel do gerente, mas não foi repentina.

As bases da ideia do trabalhador do conhecimento podem ser vistas na sua descrição de gestão em Gestão por Objetivos (1954). Gestão do conhecimento, capital intelectual e similares são, agora o topo da moda corporativa. O conceito moderno de  trabalhador do conhecimento é uma criatura da era tecnológica, o executivo móvel. Drucker providenciou uma perspectiva ampla, colocando a origem do trabalhador do conhecimento na evolução da gestão em uma respeitável e influente disciplina.

Drucker continuou a desenvolver seu pensamento sobre o papel do conhecimento, principalmente em seu livro 1992, Gestão para o futuro, no qual ele observou, “a partir de agora a chave é o conhecimento. O mundo não está se tornando mão-de-obra intensiva ou materiais intensivos, mas conhecimento intensivo”.

A idade da descontinuidade foi surpreendentemente correta em suas previsões. Muito dela poderia se encaixar facilmente nos livros de negócios de hoje.

Antes da morte de Drucker, o guru da gestão Gary Hamel disse, “A reputação de Peter Drucker é de um gestor teórico. Ele também tem sido um profeta. Em 1969, ele se  antecipou à emergência da economia do conhecimento. Eu gostaria de propor um desafio aos gurus de gestão que virão: tentem encontrar algo a dizer que Peter Drucker não tenha dito em primeiro lugar, e que não tenha dito bem. Esta alta barreira deve reduzir substancialmente o número de livros de negócios entupindo as estantes das livrarias, e oferecer aos gestores a esperança de ganhar algumas ideias verdadeiramente novas.”

 

O presente resumo de “Uma era de descontinuidade”, em tradução adaptada, é encontrado na obra: Business – The ultimate resource – 3rd Revised Edition – A & C Black – London.