Economia criativa: o que é, como funciona e exemplos no Brasil e no mundo

A economia criativa, aos poucos, tem conquistado o seu espaço no mercado nacional.

Segundo o levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em 2017, o setor representou 2,61% de toda a riqueza produzida no Brasil, totalizando R$ 171,5 bilhões.

Além disso, a indústria criativa contou com 837,2 mil profissionais empregados de maneira formal no ano da pesquisa, equivalente a pouco mais de 1,5% do total de trabalhadores com carteira assinada no período.

À primeira vista, os números podem parecer inexpressivos, quando comparamos com outros setores de maior pujança.

Mas não se engane: por se tratar de um segmento relativamente novo, há sentido em dizer que eles são significativos.

E, mais do que isso, os dados sugerem que a economia criativa é uma tendência.

Com um mundo repleto de inovações que não param de surgir, as próprias relações de trabalho se transformam, impactando, de certa forma, em diferentes maneiras de consumo.

Para se adaptar a todas essas mudanças, o mercado precisa de constante atualização. As novas tecnologias e práticas, por exemplo, devem fazer parte do contexto organizacional.

Nesse sentido, nascem os novos modelos de negócio, que recebem o nome de economia criativa.

Mas, na prática, o que esse conceito significa? Como ele funciona? E quais são os exemplos de sucesso por aqui e mundo afora?

Nós vamos responder essas e outras perguntas ao longo deste artigo que acabou de começar.

Fique com a gente e boa leitura!

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O que é economia criativa?

Bom, como o próprio nome já entrega, a palavra-chave aqui é criatividade.

Estamos falando de um conjunto de atividades que usam a capacidade inventiva como matéria-prima para, dessa forma, entregar um produto ou um serviço que traga soluções personalizadas ao seu público-alvo.

Você pode pensar: “Nossa, que conceito mais abstrato. Então, quer dizer que qualquer startup que traga algo de novo para o mercado se encaixa como economia criativa?”.

Basicamente, sim. E nem precisa ser uma startup. Até mesmo as empresas mais tradicionais podem ter ideias inovadoras e se inserir nesse contexto.

Mas isso é assunto para tratarmos mais à frente.

Como surgiu a economia criativa?

O conceito de economia criativa é bastante recente, nascido já no século XXI.

Seu principal mentor é o escritor inglês John Howkins, que, em 2001, lançou a obra “The Creative Economy: How people make money with ideas”. Ou, como foi traduzida para o português: “Economia Criativa: Como ganhar dinheiro com ideias criativas”.

No livro, o autor mostra, a partir de exemplos e dados estatísticos, como a criatividade pode impactar positivamente na economia.

Como o próprio Howkins diz, a criatividade pode ser transformada em resultado.

Mas, na realidade, é ainda mais do que isso.

A economia criativa aparece em um momento em que surge a necessidade da criação de novos mercados, especialmente em países marcados por crises financeiras e dificuldade na geração de empregos, como o Brasil, por exemplo.

Não à toa, em 2012, foi criada por aqui a Secretaria de Economia Criativa, hoje parte integrante da Secretaria Especial de Cultura.

Economia criativa e colaborativa é a mesma coisa?

Quando falamos de economia criativa, é muito comum confundirmos o termo com economia colaborativa.

No entanto, ainda que os dois conceitos conversem muito entre si e sejam complementares, não dá para dizer que se trata da mesma coisa.

Como vimos, a primeira tem a criatividade como matéria-prima e uma conexão com as novas tecnologias. Além disso, conforme trataremos mais adiante, seus produtos e serviços estão vinculados à cultura, às diferentes mídias e ao entretenimento.

Enquanto a economia colaborativa é, basicamente, uma releitura dos nossos antigos hábitos.

Uma maneira diferente de consumir, compartilhando transportes, tempo, habilidades, moradias, ferramentas, recursos e por aí vai.

É claro que seus caminhos se cruzam em algum momento, como, por exemplo, em plataformas de crowdfunding (financiamento coletivo).

Principais nichos de economia criativa

A economia criativa é dividida em diversos nichos, que podem variar de número conforme a pesquisa que você faça e o autor no qual se baseie.

A Firjan, por exemplo, leva em conta 13 nichos, mas a Secretaria Especial da Cultura enumera 20. Vamos a eles:

  • Animação
  • Arquitetura
  • Artesanato
  • Artes cênicas
  • Artes visuais
  • Audiovisual
  • Cultura popular
  • Design
  • Entretenimento
  • Eventos
  • Games
  • Gastronomia
  • Literatura e mercado editorial
  • Música
  • Moda
  • Publicidade
  • Rádio
  • Softwares aplicados à economia criativa
  • Turismo cultural
  • TV.

Praticamente todas as áreas que você conhece, não é mesmo?

De fato, é um conceito bastante abrangente.

Já quando falamos em setores envolvidos, podemos classificá-los em quatro:

  • Patrimônio: tem foco na cultura popular local e em manifestações típicas e tradicionais
  • Artes: fazem parte as manifestações artísticas dramáticas e visuais
  • Mídia: publicidade e propaganda, seja ela em que meio for (impresso, radiofônico, online e televisivo)
  • Criações visuais: serviços criativos como arquitetura e design.

Além disso, ainda podemos distribuir a economia criativa em três categorias, que dizem respeito ao seu papel dentro do mercado:

  • Indústria criativa em si: aquelas empresas que, de fato, entregam um produto ou serviço que compreenda um dos 20 nichos citados
  • Empresas relacionadas: fornecem material ou algum tipo de serviço para a indústria criativa, como, por exemplo, uma fábrica têxtil que provê o figurino para alguma peça de teatro
  • Empresas de apoio: contribuem de maneira indireta com a economia criativa.
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Como funciona a economia criativa no Brasil

Por se tratar de um segmento relativamente novo, a economia criativa ainda passa por um processo de ambientação, mesmo que já movimente uma quantidade significativa do PIB nacional, como vimos.

Os principais empecilhos por aqui ainda são a falta de políticas específicas e autonomia para alguns setores.

Além disso, alguns nichos, como o audiovisual, por exemplo, concentram recursos, incentivos e mão de obra. O monopólio pertence a uma parcela pequena das produtoras do Brasil.

Políticas mais inclusivas se fazem necessárias, mas, aos poucos, sobretudo com o intermédio da internet e iniciativas aliadas à economia colaborativa, esse cenário tem mudado.

Economia criativa e inovação: uma relação obrigatória?

As pessoas, normalmente, associam economia criativa com inovação. Essa relação não está errada, mas você não precisa reinventar a roda para ter um negócio que se encaixe dentro desse segmento.

Basta você ter uma grande sacada e usar as ferramentas à sua disposição de uma maneira diferente.

O grande objetivo, na verdade, é gerar valor ao capital cultural e intelectual, tendo a criatividade como principal matéria-prima.

Empreendedorismo e economia criativa: como encontrar oportunidades?

Você já possui o seu próprio negócio e deseja migrar para um projeto mais inovador? Ou pretende abrir a sua empresa e começar algo do zero?

A boa notícia é que, em qualquer um dos casos, você pode implementar a economia criativa.

Pensando nisso, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) lançou o Guia do Empreendedor Criativo, com dicas para quem almeja o sucesso na carreira. Veja algumas delas:

Tenha iniciativa e corra atrás de oportunidades

Ter um boa ideia é importante, mas ela precisa sair do papel. Caso contrário, pouco adiantará.

Por isso, se você quiser ter um empreendimento de economia criativa, deve colocar o seu plano em prática.

Estude o mercado, enxergue oportunidades onde os outros só vislumbram problemas e tenha um negócio de sucesso.

Seja persistente

Ninguém disse que ia ser fácil.

Empreender, especialmente em um segmento que tem a criatividade como matéria-prima, é uma tarefa complicada. Somente os fortes sobrevivem.

Reformule o ditado: “Se nada der certo, vou vender minha arte por aí” para algo do tipo: “Se tudo der certo, vou ganhar dinheiro vendendo minha arte por aí”.

Saiba correr riscos

Não existe negócio perfeito ou infalível.

Mesmo os principais casos de sucesso em economia criativa passaram por provações e tiveram suas dificuldades.

O fato é que eles não aceitaram o fracasso e encararam os riscos sem abrir mão da ousadia. E, claro, sempre controlando os resultados e administrando os conflitos.

Preze pela qualidade e pela eficiência

Use e abuse dos protótipos, quantas vezes forem necessárias, para entregar um produto ou um serviço de qualidade aos seus consumidores.

Uma das vantagens de trabalhar com economia criativa é a integração com o público e a colaboração que vem com ele.

Ouça seus clientes, preste atenção nas demandas deles e faça as alterações cabíveis para entregar uma solução personalizada mais próxima do ideal possível.

Não fuja das suas responsabilidades

Beber dos princípios da economia criativa não quer dizer se isentar dos seus compromissos e colocar tudo na conta do modelo de negócio implementado.

Assuma seus erros, aprenda com eles e, da mesma forma, comemore os seus acertos e não se envaideça demais.

Não fique parado no tempo

A economia criativa exige atualização constante. Caso contrário, a concorrência e as novas iniciativas atropelam quem está no caminho.

Por isso, estude e aprenda tudo o que puder.

Já que falamos tanto em economia criativa e colaborativa, que tal fazer um gesto condizente com o modelo? Compartilhe conhecimento e sabedoria.

Estabeleça metas alcançáveis

Alguns conceitos dos empreendimentos tradicionais também se fazem presentes na economia criativa, como, por exemplo, o planejamento estratégico.

Você precisa saber quais são os objetivos do seu negócio, além das metas que pretende atingir em curto, médio e longo prazo.

Avalie os rumos que o seu negócio está tomando

Outro tópico tradicional que se aplica aqui também é a análise de desempenho.

Para saber se os objetivos traçados estão próximos de serem alcançados ou estão transcorrendo conforme o esperado, é preciso ter acesso a indicadores que mensuram esses resultados.

Não tenha medo de mudar os rumos caso algo não aconteça conforme o esperado.

Por isso, monitore sistematicamente o desenvolvimento do seu negócio.

Tenha uma boa rede de contatos

Trate seus clientes como verdadeiros parceiros e estreite ainda mais a sua rede de contatos.

Networking é uma prática indispensável na economia criativa.

Quanto mais pessoas você conseguir engajar, maiores são as chances de o seu negócio decolar.

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Economia criativa: exemplos no Brasil e no mundo

A economia criativa chegou para ficar.

Exemplo disso são iniciativas consolidadas e de sucesso no Brasil e fora dele.

Conheça algumas delas agora!

Project Hub

A Project Hub é uma rede social que busca conectar, de maneira colaborativa, investidores, empreendedores e marcas.

A ideia é que novas iniciativas possam surgir e se tornem negócios factíveis, que impactem positivamente a vida das pessoas.

Bellive

Já pensou em trocar o seu tempo por serviços?

Na Bellive funciona assim: você se cadastra na plataforma e recebe cinco moedas virtuais para “pagar” por algo que necessita.

É possível também disponibilizar seu trabalho em troca de mais dinheiro.

Taller Flora

A Taller Flora é uma iniciativa da estilista mexicana Carla Fernández, que decidiu aproveitar a forte influência cultural do artesanato indígena em seu país e montar um estúdio de design de moda inspirado nessa identidade tradicional.

Only Much Louder

É um negócio de economia criativa que nasceu na Índia e tem como propósito agenciar artistas musicais do cenário independente local.

O sucesso da iniciativa fez com que o projeto prosperasse, viabilizando centenas de festivais e eventos por todo o continente asiático.

Além disso, atualmente, a Only Much Louder aumentou a sua infraestrutura, contando também com uma gravadora alternativa e uma produtora de vídeos próprios.

Conclusão

Este artigo apresentou um guia completo sobre a economia criativa.

Mais do que uma moda passageira, ela representa um novo modelo de negócio, uma nova forma de empreender, muito mais condizente não apenas com o momento atual, mas com o que esperam as novas gerações.

Assim, se você já tem o próprio negócio ou pretende abrir um, deve olhar com carinho para as possibilidades e oportunidades que se abrem a partir do conceito.

Esse é o seu plano? Então, o primeiro passo é investir em sua capacitação para se manter sempre atualizado.

Nesse sentido, a Associação Internacional de Educação Continuada (AIEC) pode ter a solução ideal para você.

Opções não faltam.

Você pode se matricular no nosso curso de bacharelado em Administração para montar o planejamento estratégico ideal para a sua empresa e desenvolver a inteligência competitiva para se destacar entre os concorrentes.

Também pode escolher pelo tecnólogo em gestão financeira e ser um profissional capaz de implementar inovações e conduzir o seu negócio ao crescimento exponencial.

Ou, ainda, optar pelo curso de Formação de Líderes para se tornar um verdadeiro gestor de pessoas e desbloquear toda e qualquer barreira criativa que possa surgir.

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