Ídolo ou Fã: qual seu papel nessa relação?

marketing digital

Agência de comunicação se especializa na administração da vida digital de marcas

Christian Rôças (Crocas). Jornalista e pesquisador do comportamento humano. Sócio-fundador da www.grudaemmim.com.br.
Revista Ideias em Gestão.
Julho/2011.

A internet não apenas impactou economicamente o mercado musical, mas também colocou novos desafios e propôs novas possibilidades para a utilização da rede. Num primeiro momento, as análises se focaram na problemática da queda de vendas, pirataria, direitos autorais e outras questões pós-Napster. De uns três ou quatro anos para cá, porém, alguns profissionais, como nós, passamos a nos preocupar com a relação fã/artista e a pesquisar como se dá esse processo de interação na rede.

A partir desses estudos, criamos a Grudaemmim, agência de comunicação cujo negócio é criar e gerenciar a vida digital de marcas, que tanto pode ser a marca de um produto, serviço, ou a marca de um artista, músico, banda, ator, etc. Cuidamos da vida digital de uma marca, ou seja, administramos o relacionamento dessa marca com seus fãs nas plataformas digitais. Esse trabalho consiste, dentre muitas atividades, em zelar pela imagem e reputação da marca, e torná-la interessante e relevante, envolvendo o público em seu dia a dia.

Emoções e relacionamento

O primeiro trabalho que fizemos foi com Gilberto Gil, no Banda Larga Cordel, turnê interativa que ocorreu entre 2007 e 2009. De lá pra cá, levamos diversos artistas para a internet, procurando estabelecer novos canais de distribuição de seu trabalho e de contato com o público. Cuidamos da vida digital de Bebel Gilberto, Capital Inicial, Nando Reis, César Menotti e Fabiano, Juliana Paes, Cachorro Grande e muitos outros. Além de vários festivais de música, como o Natura Nós e o Rock in Rio.

Acabamos chegando à conclusão de que esse modelo também servia para cuidar da vida digital de marcas de empresas, como Claro, CNN, Google, Boomerang, Caixa Econômica, Oi Futuro, Abril e outras. Nosso trabalho é transformar a relação passiva entre marca e consumidor numa relação de admiração, respeito e engajamento, como a de ídolo e fã. Para isso, desenvolvemos diversas atividades, como produção de conteúdo em vídeo, áudio, fotografia e texto; distribuição em multiplataformas (on-line e off-line); relacionamento em mídias sociais (Twitter, Flickr, Blog); SAC 2.01 ; criação e desenvolvimento de sites e perfis; pesquisa de comportamento digital; monitoramento; cross business2 com mercado musical; gerenciamento de campanhas e mídia on-line; otimização para buscas (SEO )3; desenvolvimento de aplicativos e recursos para smartphones.

Para desenvolver nosso negócio, estudamos tudo sobre arte digital, web 2.04 , mídias sociais e redes de relacionamento. O nosso foco, porém, não são as novas tecnologias, mas a moeda de troca que elas exigem: o conteúdo, que pode ser uma novidade, um detalhe ou um mimo interessante e relevante para o público.

Gostamos de enfatizar que não lidamos com tecnologia, mas sim com comportamento humano. Nós utilizamos a tecnologia para influenciar pessoas. Desenvolvemos nosso trabalho a partir de um ponto de vista humanístico, e não tecnológico. Cruzamos as histórias de nossos clientes e de nosso público, atingindo a razão e a emoção. Acreditamos que o que move mesmo as pessoas é poder imaginar, sentir, se arrepiar, aprender, discutir, dar risada, etc., e nenhuma tecnologia vai mudar isso.

Estamos num tempo em que tudo vira marca e todos são consumidores. Mas, no fundo, as pessoas estão em busca de algo mais além de adquirir produtos e serviços. Elas querem viver emoções e estabelecer relacionamentos. Quando uma marca atende a esses desejos, transforma a postura passiva do consumidor em admiração, respeito e engajamento.

Etapas do trabalho

Basicamente, seguimos o seguinte roteiro em nossa atividade quando conquistamos um cliente e assumimos o compromisso de gerenciar a sua vida digital. Primeiro, buscamos ouvir o que está sendo falado sobre a marca, qual a percepção de cada tribo e como está o engajamento do público em relação a ela. Identificamos quem tem voz na rede para influenciar outras pessoas e quem está disposto a ouvir histórias diretamente da marca.

Com essa pesquisa completa, planejamos o que, como, quando e onde distribuir nossa mensagem ou conteúdos.

O próximo passo é criar e compartilhar. Uma vez definidas as melhores estratégias e os melhores pontos de contato com o público, entra em campo nosso time multidisciplinar de 35 profissionais, constituído de planejadores, designers, jornalistas, produtores, fotógrafos, roteiristas, montadores, blogueiros, atores, músicos e programadores.

Após distribuir os conteúdos nas diversas mídias digitais, a última etapa é medir. Para isso, temos uma metodologia própria de avaliação que trabalha com dados quantitativos e qualitativos, e compara os resultados atingidos com o objetivo estabelecido inicialmente. Com essas informações nas mãos, podemos acompanhar a evolução da campanha, planejar a continuidade das ações e apresentar ao cliente a repercussão das ações e até onde chegou sua mensagem.

O papel de cada um

Graças às tecnologias de informação e comunicação ocorreram mudanças no comportamento das pessoas em relação às mídias. Não somos mais tão dependentes de grandes veículos de comunicação de massa. Somos nossos próprios veículos. Estamos todos em contato, grudados em uma única rede de informação e compartilhamento. O diálogo é um fluxo constante capaz de convencer pessoas, multiplicar opiniões e transformar o mundo. Tudo o que precisamos é fazer parte dessa conversa.

Nesse contexto, somos defensores da aproximação entre as pessoas, da multiplicação de oportunidades de troca e de diálogo via boas histórias.

Acontece que, como em qualquer experiência de relação, devemos ter claro qual o papel de cada um. A propósito, especificamente na relação entre fã e marca, que é o nosso negócio, temos notado alguns problemas de compreensão nessa convivência. Um dos mais atuais diz respeito à participação do fã em votações para escolha da melhor música, melhor banda, etc., promovidas por sites e emissoras de rádio e TV.

Afinal, até onde vai o papel do consumidor na escolha dos “melhores”? Esses concursos com festas de comemoração não estariam perdendo um pouco a graça justamente por exagerar no poder que estão atribuindo ao público de julgar a qualidade de uma banda?

Além disso, sob o ponto de vista do fã, não estamos jogando a responsabilidade da vitória (?) das bandas em cima do trabalho de jovens que terão que “gastar os dedos” em infinitas votações on-line? Quer dizer que, se a banda tal não foi vitoriosa, o “culpado” por isso teria sido o fã? E se eu for um fã que gosta de ficar apenas assistindo ao show sem participar de qualquer votação? Isso faz de mim um fã menos valioso? Por que não mesclar a participação popular com a escolha de especialistas e críticos?

Desbravando um mundo novo

Na Grudaemmim, estamos avançando na oferta de possibilidades de interação entre fã e marca.

Abrimos espaço para que o fã produza e publique seu próprio conteúdo nas plataformas 2.0 e, com isso, participe mais do dia a dia de seu ídolo. O artista, por sua vez, passou a desfrutar da mão de obra apaixonada de seu fã, que busca como recompensa um encontro físico no camarim, brindes, ou até uma ligação ou um vídeorrecompensa de seu ídolo.

Voltamos à era do escambo. Só que, para essa troca ocorrer, as duas partes devem ter algo de valor a oferecer. A relação tem que ser de ganha-ganha. Quem focar no fã e em seu hábito de comportamento perceberá que ele não quer apenas um arquivo MP3 e sim uma convivência com o cotidiano de seu ídolo. Quem entender seu papel nesse novo mercado estará mais certeiro nas estratégias de comunicação, lançamento de singles, vendas de shows e de música.

Nosso plano para o futuro é expandir e reforçar nosso papel de agência de relacionamento social e de produção de conteúdo. Nosso maior diferencial é o capricho e a atenção aos detalhes em tudo o que fazemos. Nossa maior dificuldade é também nosso principal motor: a falta de modelos a serem seguidos. Estamos desbravando um mundo novo com tudo de bom e de ruim que isso nos oferece. É assim que, desde 2007, estamos grudando ídolos, fãs, clientes, parceiros e consumidores. O diálogo está aberto. Se você não sabe como participar, nós podemos te ajudar. 

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