Plano de sucessão: o que é, para que serve e como fazer na empresa

Se você se preocupa com o futuro da sua empresa, saiba que montar um bom plano de sucessão é indispensável para evitar os riscos de descontinuidade do negócio.

Embora seja trivial, não é o que tem sido observado nos empreendimentos, sejam eles familiares ou não.

Existe um desafio muito grande em estabelecer uma linha sucessória. Ao menos é o que apontam algumas pesquisas.

Um estudo recente, divulgado pela consultoria Price Waterhouse Coopers (PwC), por exemplo, mostra que 40% das empresas familiares nacionais entrevistadas afirmam que a sucessão é um dos principais obstáculos para os próximos anos.

Nas organizações de mesma natureza do exterior, ainda segundo o levantamento, o índice é de 33%.

Outro dado que chama a atenção foi trazido em uma pesquisa da The Conference Board, em parceria com a RH Heidrick & Struggles.

De acordo com o estudo, 10% dos CEO’s do índice S&P 500, composto por 500 empresas de capital aberto, possuem 65 anos ou mais.

Além disso, esses dirigentes estão passando mais tempo em seus cargos, com média de 10,9 anos. É a maior em 17 anos.

A combinação dessas duas variáveis (idade e tempo de cargo), portanto, é uma provável barreira para criar um plano de sucessão eficiente.

Para saber como driblar esse problema no seu negócio, não deixe de acompanhar o artigo.

Além disso, outras dúvidas acerca do assunto serão esclarecidas neste conteúdo.

Afinal, você sabe o que é, exatamente, um plano de sucessão e qual a importância dele?

Descubra agora!

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Plano de sucessão: o que é?

A melhor maneira de começar esse papo é partir do princípio. Ou seja, explicar o conceito de plano de sucessão.

Aqui, não tem mistério.

Plano de sucessão diz respeito ao método de identificação, definição e desenvolvimento de lideranças que sejam capazes de ocupar cargos estratégicos no organograma hierárquico de qualquer empresa.

No caso de um negócio familiar, normalmente, esse processo se dá com a transferência gradativa das responsabilidades aos herdeiros mais próximos, como, por exemplo, irmãos ou filhos.

Já, quando a empresa não é de família, o rito de passagem é um pouco mais complexo, pois implica no aprimoramento de habilidades específicas e na valorização de talentos vitais para o desempenho de determinadas funções.

Para que serve um plano de sucessão?

Basicamente, o plano de sucessão serve para dar prosseguimento aos rumos do negócio.

Essa continuação deve ocorrer de modo natural, para que não haja nenhum tipo de abalo, risco ou prejuízo às metas já estabelecidas.

Além disso, é importante que a ambientação do sucessor seja a mais rápida possível.

Em outras palavras, o plano de sucessão tem como principal objetivo tornar o negócio mais resistente ao tempo e suas modificações.

Sem contar que serve como ferramenta de transparência, uma vez que esclarece, aos colaboradores, quais são as diretrizes que guiam o processo sucessório dos cargos estratégicos.

Isso, por sua vez, é ótimo para a motivação e a manutenção de um bom clima organizacional.

Importância do plano de sucessão

Ter um plano de sucessão assertivo é fundamental para todo o tipo de negócio, familiar ou não, pequeno ou grande.

Esse instrumento ajuda a assegurar que as posições estratégicas sejam ocupadas pelos talentos certos.

Ou seja, aqueles profissionais com as habilidades técnicas e comportamentais ideais para o cargo.

Mas, não é só isso. Investir nesse modelo de gestão traz outros benefícios, como:

  • Retenção de talentos: quando um profissional percebe que está sendo valorizado e existe uma chance clara de crescer na empresa em que está, é comum que ele rejeite ofertas da concorrência e permaneça no local de trabalho atual
  • Capacitação profissional: com um plano de sucessão implementado, o colaborador sabe exatamente o que precisa ser feito para conquistar os seus objetivos organizacionais. Ou seja, ele tem o estímulo certo para desenvolver as habilidades necessárias para alçar voos mais altos dentro da empresa
  • Aumento da produtividade: a motivação é a principal força motriz da produtividade. Um colaborador focado e engajado entrega mais e melhores resultados do que um colega que se mantém dentro da zona de conforto. E diante de uma perspectiva de crescimento evidente, ânimo não vai faltar aos profissionais.

Como fazer um plano de sucessão empresarial?

Um plano de sucessão, via de regra, é composto por três grandes fases: planejamento, desenvolvimento e execução.

Vamos conhecer a seguir o que é feito em cada uma delas!

Planejamento

De modo geral, diz respeito à organização do que deve ser realizado. Tem como objetivos específicos:

  • Alinhamento do plano com a cultura organizacional da empresa
  • Diagnóstico de eventuais problemas do planejamento (falta de envolvimento das lideranças, análises de desempenho pouco efetivas, profissionais pouco capacitados para o processo de sucessão)
  • Avaliação de riscos (delegar autoridade e poder excessivo aos líderes, se preocupar mais com as exigências do mercado do que com as necessidades da organização, entre outros)
  • Implementação de uma comunicação eficaz e transparente
  • Identificar os cargos que vão fazer parte do plano e os potenciais candidatos.

Desenvolvimento

Essa é a etapa de aprimorar o que foi planejado, com a realização de algumas atividades, como:

  • Estabelecer critérios de seleção, como, por exemplo, analisar as competências técnicas e comportamentais para o exercício da função
  • Definir um plano de ação
  • Determinar quais serão as estratégias de desenvolvimento e de treinamento/capacitação (coaching, mentoring, plano de desenvolvimento individual)
  • Delimitar metas objetivas e alcançáveis.

Execução

Por fim, vem a mão na massa:

  • Escolha de processos e instrumentos de avaliação (entrevista, questionários abertos e chegados, assessment, perfil comportamental)
  • Estipular estratégias de remuneração (bônus por metas atingidas)
  • Definir métricas para mensurar resultados (indicadores de desempenho, produtividade, eficácia).
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Existe metodologia de plano de sucessão?

Agora que você já sabe como fazer um plano de sucessão empresarial, talvez esteja se perguntando se existe alguma metodologia recomendada para ter mais assertividade na execução desse procedimento.

A resposta é sim, existe.

O método em questão leva o nome de mapa de sucessão e consiste, basicamente, em garantir que a pessoa mais capacitada seja escolhida para a posição estratégica no momento certo e pronta para lidar com os desafios da função.

Para que isso aconteça, é preciso, no entanto, que três etapas sejam cumpridas:

Descrição do cargo

É onde deve aparecer o detalhamento completo das atividades a serem executadas, bem como o perfil da liderança necessário para o cargo (habilidades técnicas, comportamentais, personalidade, experiência, entre outros).

Reconhecimento de lacunas

Nessa fase, acontece a determinação dos requisitos básicos para que os candidatos possam concorrer à posição em disputa.

Orientação de expectativas

Omapa de sucessão deve ser um arquivo público, onde todos os colaboradores possam ter acesso.

Assim, podem alinhar os seus objetivos, saber dos critérios de avaliação e obter informações acerca do período máximo para a efetivação, por exemplo.

Exemplo de plano de sucessão

Imagine que para ocupar uma função importante de gestão em uma multinacional estejam concorrendo três profissionais que já fazem parte do quadro de funcionários da empresa.

Para chegar à linha sucessória, você utilizou o mapa de sucessão e analisou o plano de carreira e a descrição de cargos de cada um dos candidatos.

Então, comparou experiência, capacitação profissional, habilidades comportamentais, liderança, entre outros fatores.

Após cruzar todos esses dados, chegou à conclusão de que o colaborador mais preparado para realizar a sucessão era o primeiro.

O próximo passo, portanto, é treinar esse profissional para que, quando habilitado, possa assumir essa função estratégica com a máxima eficiência.

Exemplo de plano de sucessão familiar

O plano de sucessão familiar não é muito diferente do modelo tradicional, ainda que conte com algumas particularidades.

Por exemplo: embora o herdeiro mais próximo seja o sucessor natural em um modelo de negócio dessa natureza, não necessariamente é ele quem deve assumir.

Isso devido a várias questões, como falta de preparo, desinteresse no negócio, parentes mais capacitados, entre outros.

No entanto, às vezes, esse cenário, infelizmente, fica apenas na teoria.

Ganância, sede pelo poder e apego às tradições familiares podem atrapalhar um processo sucessório legítimo e transparente.

É, por essa razão, que a empresa deve sempre estar no centro de qualquer estratégia, seja em um negócio familiar ou não.

Interesses particulares, vaidades e conflitos pessoais precisam ser deixados de lado se o objetivo real é o bem-estar organizacional.

O DNA familiar de nada vai adiantar se os herdeiros não estudarem e mostrarem aptidão aos negócios.

Logo, o sangue jamais deve ser o único critério para definição sucessória. Pelo contrário. Deve haver parâmetros objetivos e mensuráveis.

Agora, se o descendente mais próximo é, de fato, o profissional mais capacitado e com perfil indicado para assumir o lugar do pai, não há problema algum em ocupar o cargo de destaque.

7 livros sobre plano de sucessão

Depois desses dois exemplos de plano de sucessão, que tal aprender um pouco mais sobre o tema lendo obras que aprofundam o assunto?

Separamos sete leituras para você se tornar um verdadeiro especialista em planejamento sucessório. Confira:

Planejamento sucessório: pressupostos e limites

O livro de Daniele Chaves Teixeira é bem técnico e aborda os dois principais pilares do direito sucessório: a família e o patrimônio.

Além disso, a autora discorre sobre a insuficiência do Código Civil do Brasil para atender às demandas da sociedade no que diz respeito ao planejamento de sucessão, e aponta caminhos para solucionar esse problema.

Empresas familiares: o papel do advogado na administração, sucessão e prevenção de conflitos entre sócios

Indo mais ou menos na mesma linha da obra anterior, esta de Eduarda Cotta Mamede e de Gladston Mamede aborda particularidades das empresas de família e como os advogados devem proceder em organizações desse tipo.

Segundo os autores, existe toda uma tecnologia jurídica apropriada para oferecer as melhores soluções em negócios familiares e fazer dessas atividades não apenas algo rentável, mas também um elemento agregador.

Gestão do processo sucessório: preservando o negócio e a estratégia

O livro de Tatiana Almendra Dutra e Joel Souza Dutra é resultado de uma pesquisa de 18 anos realizada em diversas empresas, com o intuito de entender como se dá o processo sucessório em organizações nacionais e internacionais.

A conclusão a que se chegou é que, na grande maioria dos casos, há uma divisão em duas etapas do rito natural de sucessão: o mapa sucessório e o desenvolvimento de pessoas.

A sucessão como ela é: de sentimentos a jogos políticos nas organizações

Ao contrário de todas as obras até aqui, o texto de Emerson de Almeida possui uma linguagem muito mais informal, mas sem ignorar a discussão sobre a importância do plano de sucessão dentro das empresas.

A ideia, segundo o autor, é abordar um pouco questões subjetivas do tema e, até por isso, Almeida traz suas experiências pessoais à tona.

Ainda assim, ele também destaca o lado mais objetivo, comparando quando o planejamento sucessório acontece de forma abrupta e sem qualquer organização a quando ele ocorre de forma estratégica e bem pensada.

Sucessão e sucesso nas empresas familiares

Poucas pessoas se dão conta, mas sucessão e sucesso não são apenas palavras de grafia semelhante.

Quando aplicadas ao contexto organizacional, uma tem implicação direta na outra.

Ou seja, é praticamente impossível seu negócio ter sucesso sem um plano de sucessão assertivo e vice-versa.

E é justamente isso que Armando Dalla Costa propõe em seu livro, a partir do estudo de cinco casos e diversos dados estatísticos.

Empresas familiares: seus conflitos clássicos e como lidar com eles

A obra de Grant Gordon e Nigel Nicholson leva o leitor para os bastidores das maiores empresas familiares do mundo, como Gucci, Guinness, Gallo e Koch.

E mostra como alguns conflitos podem prejudicar a sobrevivência mesmo de negócios altamente rentáveis.

Do nepotismo às batalhas de sucessão, você ficará por dentro de algumas lutas internas que o grande público, muitas vezes, desconhece.

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Conclusão

A empresa pode ser familiar ou não, ter porte pequeno ou grande, ou qualquer outra característica individual que a diferencie.

O fato é que, independentemente da composição, em todas elas o plano de sucessão organizacional precisa ser muito bem feito para que as atividades não percam a sua continuidade natural.

Cabe, portanto, às organizações, o suporte necessário aos seus profissionais para que novas gerações de líderes sejam formadas internamente.

Para que isso aconteça, é necessário, entre outras coisas, o reconhecimento das habilidades dos colaboradores e, consequentemente, a valorização dos mesmos para que esses talentos potenciais sejam assegurados.

Além disso, a capacitação é fundamental nesse processo.

O sucessor deve ser submetido a teorias e técnicas primordiais para a execução do trabalho.

A AIEC (Associação Internacional de Educação Continuada) conta com diversos cursos que suprem essa necessidade, como, por exemplo, a Formação em Líderes e o MBA em Finanças.

A instituição é a única faculdade EAD do Brasil com certificação internacional ISO 9001, reconhecida por formar executivos para as melhores empresas.

Mas, e então, gostou do nosso artigo sobre plano de sucessão? Conseguiu tirar todas as suas dúvidas sobre o assunto? Esperamos que sim.

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